Todo ano, agricultores e jardineiros enfrentam desafios relacionados a pragas que atacam as partes subterrâneas das plantas. Entre as mais prejudiciais está a larva de insetos da família Elateridae, popularmente conhecida como minhocão de fio. Embora os besouros adultos dessa espécie, conhecidos como “vagalumes”, não causem danos — alimentando-se apenas de pólen —, suas larvas representam uma ameaça séria, atacando raízes e tubérculos de diversos vegetais.

As fêmeas depositam centenas de ovos, que dão origem a essas larvas. Desenvolvendo-se no solo, os minhocões de fio podem medir de 1,5 cm a 3,5 cm, dependendo da espécie. Seu corpo rígido e comprido deu origem ao nome que os caracteriza. O problema é que esses animais se alimentam vorazmente, destruindo raízes, tubérculos e outros órgãos subterrâneos das plantas, o que pode resultar em crescimento atrofiado ou até na morte completa de mudas jovens.

Essas larvas são mais comuns em solos compactados ou com presença de grama, assim como em áreas onde terrenos cultiváveis se alternam com pastagens. Elas evitam solos soltos e bem preparados. Muitas espécies conseguem sobreviver ao inverno no solo, e o ciclo de desenvolvimento pode durar de três a cinco anos. Inicialmente, as larvas jovens causam pouco dano, mas, à medida que crescem, tornam-se uma ameaça para culturas como batata, cenoura e nabo, escavando e destruindo os tubérculos.

Algumas hortaliças são particularmente vulneráveis, como pepino, soja e milho. O risco aumenta em períodos secos, pois os minhocões de fio retiram água diretamente dos tecidos das plantas. Plantios de alface também são comumente afetados. Embora as plantas pareçam saudáveis acima do solo, podem murchar rapidamente. Ao serem arrancadas, suas raízes se desprendem facilmente, revelando as larvas alimentando-se por baixo.

O primeiro passo para controlar a infestação é avaliar a população de minhocões de fio antes do plantio. Essa inspeção deve ser feita no início do outono ou da primavera, antes da semeadura. Para isso, deve-se cavar buracos de aproximadamente 25x25x25 cm em solos pesados. Em solos mais leves, podem ser necessários buracos maiores, de até 50x50x25 cm. No outono, recomenda-se aprofundar os buracos para 30 cm, já que as larvas se enterram mais para passar o inverno.

A quantidade de buracos depende do tamanho da área. Jardins pequenos exigem poucos buracos, enquanto campos maiores precisam de amostragens mais extensas. Para áreas de 1 a 5 hectares, recomenda-se cavar cerca de oito a dez buracos, distribuídos uniformemente. O solo extraído pode ser colocado sobre uma lona e quebrado em partículas menores para facilitar a visualização das larvas. Para estimar a população, multiplica-se o número de larvas encontradas em cada amostra por 16, obtendo-se o número por metro quadrado. Em solos mais úmidos, três a cinco larvas por metro quadrado já são consideradas prejudiciais; em solos secos, o limite cai para uma a três. Em cultivos densos, esses limites aumentam para 25 larvas em solos úmidos e 15 em solos secos.

Diversas medidas preventivas ajudam a reduzir os danos. Solos soltos e bem arejados são menos favoráveis à sobrevivência dos minhocões de fio, pois secam mais rápido. Além disso, aves são naturalmente atraídas por solos soltos, ajudando a reduzir as populações. Práticas como rotação de culturas, adubação orgânica, irrigação estratégica e aração profunda — especialmente em dias frios — são eficazes, já que as larvas expostas morrem rapidamente em baixas temperaturas.

Outra estratégia é combater os besouros adultos. Plantas como aipo, salsa e pastinaca atraem os adultos, facilitando sua captura. As fêmeas depositam ovos a pouca profundidade, entre 3 e 8 cm. Em condições de seca, esses ovos não se desenvolvem, tornando a prevenção pela limitação de água no solo uma medida eficiente. Aplicar calcário na superfície do solo, em cerca de 100 gramas por metro quadrado, ou usar fertilizantes com fósforo e amônia, também reduz a população de larvas.

Detergentes naturais como cinzas de madeira podem ser espalhados sobre o solo para repelir a postura de ovos. Mulching, embora útil em alguns contextos, deve ser evitado em áreas infestadas, pois a umidade sob a cobertura favorece os minhocões. Por outro lado, pilhas de grama podem servir como armadilhas, concentrando as larvas para posterior destruição.

Iscas vegetais também são eficazes: pedaços de batata, cenoura ou beterraba enterrados superficialmente atraem as larvas, que podem ser removidas facilmente. Plantas com odores fortes, como mostarda e calêndula, podem funcionar como repelentes naturais. Cultivar mostarda como adubo verde ou incorporar resíduos de calêndula ao solo no outono ajuda a prevenir futuras infestações. Cebolas em decomposição próximas ao plantio também afastam os minhocões.

Além dessas estratégias, armadilhas com feromônios capturam besouros antes da reprodução, enquanto métodos biológicos — como nematoides ou fungos específicos — podem ser aplicados diretamente no solo. Inseticidas químicos também existem, mas devem ser usados com cautela, respeitando os períodos de carência para garantir a segurança dos alimentos.

Combinando monitoramento, prevenção e controle estratégico, é possível reduzir significativamente a população de minhocões de fio, protegendo hortaliças e tubérculos, garantindo uma colheita saudável e produtiva.