A poda de árvores frutíferas é uma prática agrícola essencial, realizada quando a vegetação está dormente. O período ideal para a poda é durante os meses de inverno, quando a árvore entra em fase de repouso, diminuindo a circulação de nutrientes na planta. No entanto, em alguns casos, a poda pode ser iniciada mais cedo, desde que a árvore esteja em pleno repouso vegetativo. Esse processo ajuda a moldar a árvore, melhorar a qualidade dos frutos e regular a fertilidade.

Ao desbastar a copa de uma árvore frutífera, aumentamos a exposição das folhas e dos frutos à luz solar, o que é crucial para o desenvolvimento e amadurecimento dos frutos. Além disso, a poda adequada reduz a probabilidade de doenças, permitindo uma melhor circulação de ar na copa da árvore. O número de ramos frutíferos pode ser controlado por meio da poda, garantindo um equilíbrio entre a produção atual e a preparação para a produção de frutos do ano seguinte.

A poda é especialmente vital para variedades de árvores frutíferas de alto rendimento e cultivo intensivo, tornando-se uma prática obrigatória. Em grandes pomares, utiliza-se uma variedade de ferramentas de poda, desde tesouras telescópicas para ramos altos até tesouras menores para ramos mais densos e curtos. Nos últimos anos, as tesouras de poda elétricas ganharam popularidade devido à sua facilidade de uso e eficiência. Anteriormente, essas ferramentas eram caras, mas agora existem opções de alta qualidade e com preços acessíveis.

Em nossa última sessão de poda, testamos a tesoura de poda elétrica Kebtek, que vem equipada com duas baterias de carregamento rápido. Essa tesoura tem design ergonômico, é leve e fácil de manusear. Para ativá-la, basta pressionar o botão de corte duas vezes, após o que a tesoura estará pronta para uso. A manutenção regular, incluindo lubrificação e limpeza da lâmina, garante a longevidade da ferramenta. Algumas gotas de óleo mecânico antes e depois de cada uso ajudam a manter o fio e a funcionalidade da tesoura. Ao podar um grande número de árvores, recomenda-se lubrificação ocasional durante o processo.

O principal objetivo da poda é remover os ramos que se cruzam ou fazem sombra em outros galhos. Após várias noites frias e a primeira geada, as folhas começam a cair, revelando a estrutura da árvore. Isso facilita a identificação dos galhos que devem ser removidos. No entanto, não existem duas árvores podadas exatamente da mesma maneira, pois cada árvore tem sua própria estrutura única. Em grandes plantações, técnicas de poda uniformes podem ser aplicadas, principalmente quando as árvores são cultivadas em espaldeiras.

Diferentes sistemas de condução são utilizados para otimizar a produção de frutos e a resistência a doenças. Para macieiras, os métodos de condução em fuso esguio e em arbusto esguio são comumente utilizados. No método de fuso esguio, a árvore é podada para manter um eixo central com ramos primários, garantindo alta produção de frutos. Este sistema é amplamente utilizado em plantações comerciais onde há mecanização. Durante o primeiro ano, o eixo central é cortado a cerca de 80 cm para estimular o crescimento de brotos laterais. Apenas 5 a 7 brotos são mantidos, enquanto o restante é podado. Esses brotos são dispostos em espiral ao redor do tronco, com os botões florais removidos. Quando atingem cerca de 40 cm de comprimento, são curvados em um ângulo de 45 graus.

No segundo ano, a árvore é amarrada a uma estrutura de suporte e o ramo principal é podado até o primeiro broto forte, se necessário. Os brotos laterais não são podados, enquanto os brotos que competem com o ramo principal são removidos no início da fase vegetativa. Nos anos subsequentes, os ramos frutíferos são gradualmente substituídos para garantir a produção contínua de frutos. Em pomares domésticos, onde não se utiliza mecanização, o método de condução em forma de vaso ou taça é o preferido. Nesse método, a árvore jovem é podada a 80 cm no primeiro ano, deixando cerca de cinco ramos que formam uma copa aberta. Esse método permite que a luz solar penetre no centro da árvore, embora resulte em rendimentos menores em comparação com os sistemas de plantio.

Um erro comum na poda é encurtar os ramos inferiores enquanto se deixam os superiores mais compridos. Isso resulta em maior produção de frutos no topo da árvore, fazendo com que esses ramos se estendam ainda mais a cada ciclo de poda. Com o tempo, os ramos inferiores morrem devido à falta de luz, levando à frutificação em níveis cada vez mais altos. Isso torna a colheita e a manutenção mais difíceis e dispendiosas. Para evitar esse problema, os ramos inferiores devem ser mantidos mais compridos, com os ramos superiores sendo gradualmente reduzidos à medida que sobem.

A poda das pereiras é semelhante à das macieiras, com ênfase na remoção de brotos verticais na copa e na eliminação de galhos que causam sombra. A parte inferior da copa deve ter galhos mais longos, enquanto a parte superior deve ser podada a uma altura adequada para a colheita. Frutas de caroço, como ameixas, cerejas e pêssegos, se beneficiam de uma copa ampla em formato de vaso. Os galhos internos são podados, garantindo um número equilibrado de gemas frutíferas. Essas árvores geralmente desenvolvem excelentes gemas frutíferas, prometendo uma boa produção no ano seguinte.

Reduzir o número de ramos frutíferos resulta em menos frutos, porém de melhor qualidade. Ramos muito longos devem ser encurtados em cerca de um terço do seu comprimento. Se um ramo apresentar um número excessivo de brotos frutíferos, o desbaste é necessário para regular a carga de frutos e evitar a quebra dos galhos. Preparar as árvores frutíferas para o ano seguinte é crucial — uma frutificação excessiva em um ano pode resultar em baixa produção no ano seguinte.

Em alguns casos, os ramos podem ser dobrados e reposicionados dentro da copa para otimizar a exposição à luz e melhorar o equilíbrio estrutural. A poda deve ser realizada desde a queda das folhas até o início da nova vegetação. Em pomares grandes, a poda deve começar cedo para garantir sua conclusão no tempo certo. No entanto, em pomares menores, a poda pode ser adiada para o final do inverno ou fevereiro.

Se a poda for feita cedo, o tratamento de inverno contra doenças não deve ser negligenciado. Este ano, as fortes chuvas causaram perdas significativas de frutos devido a infecções fúngicas. Com a queda das folhas e a entrada da vegetação em dormência, os tratamentos preventivos contra doenças devem ser aplicados para proteger a safra do próximo ano.

Por fim, para aqueles que hesitam em podar, lembrem-se do ditado: “Quem poda peca, mas quem não poda peca ainda mais”. É melhor podar de forma imperfeita do que não podar de todo. Encorajamos você a praticar, aprender com a experiência e otimizar a saúde e a produtividade de suas árvores frutíferas.